Veja a Lua exatamente como ela está hoje, e quando chegam a próxima lua nova e a próxima cheia — no seu horário, não em UTC.
Como as fases funcionam
A Lua não tem luz própria. Metade dela está sempre iluminada pelo Sol; o que muda ao longo do mês é quanto dessa metade iluminada dá para ver daqui. Quando a Lua fica entre nós e o Sol, o lado aceso aponta para o outro lado e não vemos nada — é a lua nova. Quando a Terra fica no meio, o lado aceso aparece inteiro — é a cheia. Todo o resto é questão de ângulo.
É por isso que a fase é a mesma para todo mundo no planeta num dado instante, e por isso que a mesma fase pode carregar datas diferentes em dois continentes.
Marés
A gravidade da Lua puxa os oceanos e forma uma elevação, e o Sol faz o mesmo com cerca de metade da força. Perto da lua nova e da cheia os dois se alinham e os efeitos se somam: as marés altas ficam mais altas e as baixas mais baixas. São as marés de sizígia. Perto dos quartos, Sol e Lua puxam em ângulo reto e se cancelam em parte, dando as marés de quadratura, com a menor variação do mês.
Ou seja, as datas acima também servem de calendário de marés: as maiores variações se agrupam em volta das luas novas e cheias, e as menores em volta dos quartos.
De onde vêm os nossos meses
O ciclo lunar é a unidade de tempo mais antiga que a humanidade manteve depois do dia e do ano. A palavra mês tem a mesma raiz de Lua em várias línguas — em inglês,month e moon. Doze lunações dão uns 354 dias, cerca de onze a menos que o ano solar, e todo calendário da história teve que resolver essa diferença de algum jeito.
O calendário islâmico mantém o mês lunar e deixa o ano correr contra as estações, e é por isso que o Ramadã muda de lugar. Os calendários hebraico e chinês inserem um mês a mais de tempos em tempos para não sair do compasso. O calendário romano acabou cortando o vínculo de vez, e foi esse que herdamos — nossos meses não seguem mais a Lua, e é justamente esse descompasso que faz a lua cheia cair em qualquer data.
Plantio pela lua
O calendário agrícola tradicional atribui tarefas às fases da lua — semear numa fase, podar em outra, colher numa terceira. No Brasil a prática continua bastante seguida, e há um corpo real de conhecimento tradicional ligado a ela.
Vale sermos honestos sobre a evidência, no entanto: experimentos controlados não encontraram efeito reproduzível da fase da lua na taxa de germinação ou na produtividade. A força de maré que a Lua exerce sobre a água dentro de uma semente, de uma planta ou de uma lavoura é muitas ordens de grandeza mais fraca que efeitos do dia a dia — menor que a atração de um caminhão passando na estrada. O que de fato governa o desenvolvimento das plantas é o fotoperíodo, a duração do dia, e isso é o Sol.
Nada disso torna a tradição inútil como calendário. Uma regra como "semear na minguante" é um instrumento de organização: distribui o trabalho pelo mês e é fácil de lembrar sem nada escrito. Esse uso é real. Só não é a Lua agindo sobre a semente.
Como estes horários são calculados
Os horários vêm do método do capítulo 49 do Astronomical Algorithms, de Jean Meeus, que corrige o ciclo médio com termos periódicos para as posições do Sol e da Lua e para a atração dos planetas. O caminho ingênuo — pegar uma lua nova conhecida e ir somando 29,53 dias — desvia várias horas, o que basta para cair no dia errado em algum fuso.
Os resultados são conferidos contra o Observatório Naval dos Estados Unidos e, de forma independente, contra efemérides publicadas: 204 fases entre 1977 e 2027 batem dentro de dois minutos, e a diferença típica fica abaixo de trinta segundos. Os horários que você vê são convertidos do Tempo Universal para o seu fuso pelo próprio navegador.